Em destaque:
Inverdades e Desmentiras, Não há razão, Toda nudez será castigada, A essência está na voz, The Doors, Aforismos.

domingo, 2 de novembro de 2008

Instatisfeito

Vivemos buscando satisfações
Através de sentimentos e emoções,
Dos quais gostamos mais.

Mas mal sabemos que tudo isso já esta inscrito,
Já está à espera de nossos momentos.
Todas essas infinitas possibilidades
Já existem em potência.

Devemos então desviar à tendência,
Sem importar-se com o caminho.

Harmonicamente e sem distinção;
Vendo o todo, sentindo o todo,
Sem exceção e sem discrição.

Pois só assim poderemos ver o melhor caminho,
Ver as possibilidades harmônicas infinitas
Florescerem à nossa frente.

Só assim a verdade permeia,
A vida vira vida...
As ilusões desaparecem.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Morrer...


Viver e ter vergonha de ser feliz...

Chorar a tristeza de ser um eterno aprendiz.

Eu sei que a vida não devia ser melhor
E nunca será...

E é por isso que eu repito:
Não é bonita, mas é bela e contida.

sábado, 19 de julho de 2008

Inércia

você não ouviu o tiro de partida, mas corre
você corre porque todos correm
corre porque não sabia que se podia
simplesmente se abster de correr

você corre os olhos, não contempla
corre as sensações, goza rápido demais
corre e não espera o sol vir a você:
sempre foge pro horizonte e, quando vê
ele já está ali, de novo
nascendo atrás de você

a linha de chegada é tão logo aqui
que, fatigada de obscuridão
sua vista acaba cega por tamanha iluminação

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Vago

vagar, em círculos
divagar, sobre o nada
devagar, destruir o auto-conhecimento
esvaziar-se:
o abstrato é o concreto
o prolixo, o conciso
e, o perdido,
o perdido é o vivido

terça-feira, 3 de junho de 2008

Amoralidade

por que ao invés de classificar em bom ou mau
você não diz simplesmente amoral?
nada mais atemporal
nada mais acultural
nada mais é mais moral

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sofismo

"seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo", diriam muitos e, com seus imutáveis chavões, enfatizariam que "não há progresso sem mudança" ou que "só a mudança é constante".

pois bem, nada mais fácil de corroborar por nós, seres pragmáticos, incapazes de enxergar um palmo diante do nariz em um nível de abstração abaixo do que podemos ver, tocar, sentir. meu corpo muda, minha forma de pensar muda, minhas vontades, as coisas à minha volta, tudo muda: somos todos essa "metamorfose ambulante".

implícita nessa noção intuitiva está a idéia de uma grande descontinuidade de todas as coisas, é como se o Universo fosse um filme, com um certo número de quadros estáticos por unidade de tempo. é como se o Ser só existisse se pausássemos o filme ou tirássemos uma fotografia: a cada instante existe uma força mutante, a força mais forte do Universo, gerando o próximo quadro que, apesar de bem semelhante com o antecessor, nada guarda do passado além daquilo que permaneceu o mesmo. está subentendido nessa hipótese sobre a mudança que a todo momento existe um processo transformador atuando sobre tudo e então eu pergunto: não seria esse processo, na verdade, agregador?

quando eu era um feto, na época da minha infância ou há um segundo atrás eu, de fato, não era fisicamente o mesmo, não pensava do mesmo jeito e tampouco tinha as mesmas vontades. o que mudou? "eu", a resposta mais simples e preguiçosa possível gera a incrível contradição da falta de unicidade do Ser. mas então, o que mudou? a relação entre as coisas.

eu, você, o monitor para o qual está olhando e o sol somos todos a mesma coisa: Energia. essa Energia agrupa-se em diversos níveis de abstração para formar o que você vê: desde quarks e gluóns, passando por atómos, organismos e essas palavras, aparentemente desconexas, que você acaba de ler. a origem de tudo, o big bang, não é uma transformação das partículas fundamentais, mas sim a mudança de interação entre fragmentos infinitesimais: antes concentrados num conjunto infitamente denso, passaram a espalhar-se com a explosão.

eu não sou o mesmo de outrora porque estou vivendo, sentindo e descobrindo coisas a todo instante e, ao mesmo tempo, fazendo dezenas de milhões de associações entre os meus neurônios. essas associações potencialmente sempre existiram, os neurônios estavam sempre lá, prontos, esperando para serem ligados. a cada instante eu agrego coisas e, assim, amplio o meu leque de possibilidades dentro do que eu sempre fui, mas não sabia.

é exatamente isso que os mesmos muitos afirmam, contraditoriamente com a sua retórica, sem perceber ao falarem "eu sou o que escolhi ser". eles dizem que todas as possibilidades de associações estão abertas e que, dentre aquelas que já existem, nós escolhemos, a todo instante, quais devemos incorporar para construir o eu instantâneo, parte de um dos quadros estáticos do filme do Universo. nessa visão, no entanto, essa metáfora perde o sentido: eu não mudo a cada instante, apenas escolho potenciais maneiras de interagir com o Universo que estão implícitas em mim desde que fui concebido em um embrião. melhor ainda, essas escolhas estão subentendidas desde que os meus pais, os pais de meus pais, os pais de meus pais de meus pais foram concebidos: ela estão subentendidas desde que o Universo foi concebido.

acredita-se que as pessoas são resultado do seu DNA, um ácido desoxirribonucleico, e da sua interação com o meio. eu acredito que as pessoas, as coisas, tudo, são resultado do DNA do Universo, as partículas fundamentais de Energia, e da sua interação com o Meio.

esqueça a idéia de que você tem uma essência, uma personalidade: tudo é parte de um Todo, e tudo que você pensa que é, na verdade, é uma parte ínfima de escolhas dentro do que você está atualmente apto a ser e, ainda, uma parcela rídicula, absolutamente medíocre do que você realmente é. você pode fazer qualquer coisa, pensar de qualquer forma, possuir todas as sensações e, por fim, ignorar todos os níveis de abstrações para ser o que você, no fim das contas, é: Energia.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Bloco do eu sozinho

recordar é qualquer coisa entre o viver e a letargia. mas a que outro sintoma estaria eu condenado se o meu quadro clínico acusa que a minha mente não arrumou as malas, despediu-se do corpo e persistiu na inesquecível viagem? eu odeio não ter controle da situação, odeio alimentar-me dessas síncopes em doses diárias.

quarta-feira, 2 de abril de 2008


segunda-feira, 24 de março de 2008

Cobiça


É meu!
É meu!
É deles!
Quero tudo.
Quero nada!

Cobiço minha cobiça,
Inverto seus valores.
Minha cobiça vira alimento,
Ela própria se come.

Mente autofágica.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Não-pensar.
Você consegue ?

Sol?


É tarde, a tarde.
O sol taí,
E sua companheira
Também.

Mas ela é tímida, às vezes
Amarela, até ruiva.
Tem o seu tempo certo,
Mas seu homem,
A esconde,
No teto.

Ela é linda, mas não dão atenção,
Ela é a Lua.

terça-feira, 18 de março de 2008

Devo fazer


Olhar nos olhos de um mendigo.

Contemplar árvores.

Olhar o espelho nos olhos.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Dark Side Of The Moon brasileiro

precisamos de um pouco de humor

domingo, 16 de março de 2008


Tempo inconstante,

O percebo em ondas.

É rápido, curto,

Às vezes lento, ofegante.


Mas sempre tangente.

Desacelera, acelera,

E raramente pára.


Passam-se as horas,

Passam-se os minutos.

Às vezes trocando os valores.

Hora que se faz minuto,

Minuto que se faz hora.


Perceber o tempo é complicado,




O espaço, mais fácil.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Cor

Só se pode dizer que são
cores.

Amarelo, verde?
Vermelho e azul!

Quando acordo,
meu cinza é verde.
Quando durmo, preto.

Meu amarelo tem um tom especial.
Não é meu favorito, pois gosto da tranquilidade.

Agora, se olho pro céu, amarelado,
Vejo a tranquilidade, esverdeada.

Brincar com as cores é engraçado,
Parece mongol, retardado,
Mas faz todo o sentido, e vasto.
Elas são únicas e são todas,
Um paradoxo vivo.

Agora, voltando ao sol,
é amarelo ou dourado?

TÁ tudo na cabeça, seu CABEÇÃO!

... Precisa de RIMA?

acho que não

Olhos de Ressaca


eis que procurava
procurava
procurava mas não via a luz
no fundo do tonel

quarta-feira, 5 de março de 2008

O Fator Endógeno


o sol
soldado do dia
veio correndo ver o que havia

e a manhã ardia dia

havia vida
ainda

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Toda nudez será castigada


olhares
que de só olhares
não passam
a culpa é minha

sentimentos
que para o outro
não passam
a culpa é sua

nós no peito
que com o tempo
não passam
a culpa é nossa

que morra a hipocrisia
das vestimentas de fachada!

morram os árbitros sanguessugas
dentro de cada um de nós!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Teatro do Absurdo


o seu absurdo
parece-me tão normal
quanto o seu normal
soa-me um completo absurdo

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Talismã


sou eu
que não tenho mãos suficientes
onipresentes
para cobrir-te
toda
ou é você
que fria
escorregadia
esvaece-se feito crença
nas minhas mãos
pegajosas
que só se apegam
ao amuleto, à superstição
de possuir-te
de possuir
um pedaço seu
que seja

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Homenagem ao desprivilegiado


palavrão é emoção
poesia gritada
xingada
gozada

não há nada mais sincero
que o que se fala
quando não há
o que se falar

não há mais primitivo instinto
que o que se fala
quando perde-se a denotação
na subjetividade de quem fala
o que não dá
para se falar

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

The Doors


um dia
com muita força bati
a porta
depois
nunca mais a ouvi
bater
"é surdez"
todos dizem
já eu digo
vai ver
nunca mais abri
a porta

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Ménage


O Triângulo
é um polígono
de três polígamos

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Desabafo

não posso estar certo se pelo menos isso provém univocamente da minha essência, compreender até que ponto fui contaminado de automaticidade ao (tentar) furtar-me à mecânica das engrenagens da Sociedade, retroalimentada ingenuamente pelos organismos humanos. voltando, a que remeteria a tal famigerada personalidade, a qual deveria, ao menos em tese, responder a fatídica pergunta 'quem sou eu?', caracterizar o ser (ou o não-ser)? ah, à expressão-de-uma-parte-ínfima-mas-dominante-do-eu, quase me esqueço. já que toquei no assunto, e esse tal eu, o que mesmo era para ser? para não fugir do lugar-comum, usa-se dizer que seria aquilo constamente inconstante, toda aquela metamorfose ambulante. você sabe: tempos de efemeridades, mutabilidade deixou de ser insanidade para virar moda global. Mas o que eu não entendo é que. ou será que não é que? que? qual? quando? como é que alguém definiu que, ao menos no infinitésimo de intervalo de tempo, eu sou eu, você é você, não somos vários, e todo mundo, não sendo todo mundo, acreditou, acreditaram? como podemos (nós?) crer em democracia de nossas partes, de nossos átomos, quando na verdade vivemos ditadura sangrenta de certas tendências (melhor: fraquezas) nossas, modeladas a cada instante pelo meio? não há para onde fugir: somos a encarnação de todas as possibilidades, atitudes e sentimentos, nós podemos (e queremos, ah, no fundo queremos) ser tudo, ser todos, tudo ao mesmo tempo e, com quase que a totalidade do nosso potencial oprimido pelo mundo, acabamos a vaguear robotizados por trajetórias algorítmicas, não-arbitrárias, e sem óleo nas juntas.


ser ou não-ser: eis a ausência de questão se, ao invés de não-sermos, nós fôssemos.

não sei você, mas eu, esse tal de eu que todos falam (e são) deve ser outro, não eu.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Ora são

"O Dado é o meu pastor; nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, e eu me deito;
Guia-me a águas tranqüilas, e eu nado.
Destrói a minha alma;
Guia-me pelas veredas da justiça.
Por amor à causalidade.
Sim, ainda que andasse pelo vale da sombra da morte,
Não temeria o mal, pois o Acaso está comigo.
Teus dois cubos sagrados me consolam.
Preparas uma mesa para mim
Na presença dos meus inimigos.
Unges a minha cabeça com óleo,
O meu cálice transborda.
Certamente a bondade e a misericórdia e o mal e a crueldade
Me seguirão
Todos os dias da minha vida:
E habitarei para sempre na casa do Acaso."

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Assentido


sentidos
sentidos
e ressentidos
só fazem sentido
se se misturarem
os cinco
em arrepiante baque
fragrância de arco-íris
degustado em insana
em orgástica
i-m-p-l-o-s-ã-o

sábado, 8 de dezembro de 2007

Frio


rua da esperança
nuvem de queimada
na noite fria

mês de maio
mês de mesmo
mesmice maio
nesse frio de outono
como se me dissesse
como

ainda vou
escuridão adentro
poste de luz
pra mim mesmo
apagando a escuridão em brasa

névoa opaca
(como de resto toda trégua)
mês que vem

aqui arde
o mesmo frio de sempre
mas as plantas não sentem frio
e eu
não quero ser enterrado de jeans

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

2 + 2 = 5


se a moral, a verdade,
são intrínsecas ao ponto de vista
e mesmo o tempo, a matéria
são relativos
por que dissimular-me-ia eu
em ser absoluto para você?

sábado, 27 de outubro de 2007

Palavras insuficientes, metáforas distantes


Reprimo emoções,
Meu ego é flácido.
Faço sempre antes,
Apago o valor dos instantes.
Exalto-me fácil
E sempre tiro, sem querer,
As mãos do volante.

Às vezes falo o que não penso,
Pois para transmitir meu pensamento,
Preciso passar, junto, meu sentimento.
E este, sufocado,
Impede a formação dos dados
Necessários a todo o entendimento.

A linguagem pura me é insuficiente.
Já as metáforas necessárias,
Inalcançáveis a mim.
A vontade de expressao
Transborda na mente,
Mas não escorre pelo corpo,
Meu verdadeiro ente.

A fonte está ligada.
Os canais, obstruídos.
O ser, estático.
E o ego, vívido.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A essência está na voz


Um dia desses, deitado na cama com ela, olhava o teto, ela não sei.
Nossos corpos pouco se encostavam, mas era constante.
Conversávamos sobre não sei o quê, sua voz era muito presente.
Deixei minhas memórias dela de lado, a sentia apenas como som e calor, sem nenhuma lembrança ou dedução associada a isso.
Percebia sua voz como todo o seu ser e prestava atenção em sua maciez, na tonalidade e intenção daquelas palavras, as quais os significados não importavam, pois não havia informação junto a elas.
Vi que o mais interno de alguém está em sua voz, e o externo em sua “casca”, sua forma.
Nós somos as nossas vozes.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Meta-concordância


Filosofia ou Redundância
Emissão ou Ressonância
São questão de concordância

sábado, 29 de setembro de 2007

med(r)O


Caos é Ordem
elétrons dos movimentos
ar de massas dinâmica
acontecimentos dos desencadear
borboletas de efeito
meiando o regimento
da Grande Orquestra

Ordem é Caos
estudar e então reproduzir
morrer e então trabalhar
nascer a qualquer momento
eis o ciclo de vida deslinearizado
privilégio dos bem-aventurados
que guiam-se pela sintonia das aleatoriedades

Ordem e Caos
Caos e Ordem
existe maior paradoxal antíntese
maior humana síntese?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Poemia do neologístico


Dangerósissima criarte de desdesinventar:
uma emordnílap no obsessismo dos desmultifacetados halteregos,
o lugar-incomum do duplipensar;
rotina-se, todaviamente, em pernortear-se
em dessentimentos de poderter, de poderser,
distriburridos, que velham sozinhozinhos
na desimaginação do teadorar em desface ao seadorar,
na separas-são do inseparavelementar.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Carpe Diem: 1° ato?

e o que é viver?
é a sensação, só pode ser.
e o sentimento, o pensamento
meros ensaios do seu monólogo
para que o improviso não saia catastrófico
em sua apresentação única

morrer é não estar em harmônica cinestesia
tudo é morrer, menos viver.
não há fotografia estroboscópica do ser
o ser é a encenação do tempo
o tempo é a indumentária do ser
matar o tempo não é homícidio
vividos são os irracionais!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Silêncio?


Tente ficar em silêncio.
Não o silêncio externo, mas o interno.
A voz, dentro, não pára.
Tente novamente.
Fixe em algum ponto
E veja quantos segundos demora sua mente a falar.
Não muitos.
Se se precisa de esforço para que se a cale,
Há desequilíbrio.
Sem equilíbrio a atenção não resiste.
O desequilíbrio do corpo é visível,
Já o de dentro, oculto.
Em tudo se quer inferir.
A aceitação é curta.
Agora, se quiseres ouvir o mais belo som, o do silêncio,
Há de deixar tudo.
Seja um nada, finja que o conhecimento não existe
E que somente existe o presente e a presença.
E, se tiveres uma prova dele, é o suficiente,
Mesmo que para sempre ele se ausente.
Basta não esquecê-lo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Tudo faz parte


A atenção ao externo
Potencializa o interno.
Afia a mente
E a faz alerta ao universo,
O verdadeiro agente.

O ser humano,
Além de ser humano,
É parte disso tudo.
Mas a gente pensa
Que somos o único agente,
Erroneamente,
Desse mundo fluente,
Que, como condição para fluir,
Deve se auto-concluir,
Sem deixar nenhum ente ausente.

Quando aceitamos tudo,
Sem distinção perante a gente,
Nos integramos a todos esses outros
Também agentes,
Mas que agora,
Junto à gente,
Deixam de conflitar e fluem,
Finalmente, perfeitamente.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O Questionamento Insólito


quando dista, em metros redondos
a simplicidade do sol
da complexidade das laranjas?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O voyeur e o exibicionista


ardendo na chama da vaidade
gozando o calor da contemplação
a ânsia de ser apreciado
satisfeita pelo prazer da invasão

ardor na sensação do patente
combustão oxidada pelo proibido
a coexistência dos adversos
é a labareda humana da libido

em todas esferas da existência
há fogo em relações homônimas
seja entre homem e mulher
ou leitor e blogueiro, sinônimas

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Realidade Meta-Pseudo-Virtual


estão todas as realidades existindo simultaneamente?
existe a possibilidade de todos os futuros existirem lado a lado?
por que continuamos recriando a mesma realidade?
é possível estarmos tão condicionados à nossa rotina,
que compramos a idéia que não temos controle algum sobre nada?
realidade é o que vemos com nosso cérebro
ou o que vemos com nossos olhos?

o cérebro não sabe diferenciar
o que vê no ambiente de suas lembranças.
O que acontece dentro de nós é, na verdade
o que cria o que acontece fora, e não o contrário.
O mundo tem várias forma de realidade em potencial
até você escolher o que quer.

as suas escolhas dependem do mundo ao seu redor
que dependem do que acontece dentro de você
que depende do que vê no ambiente e das lembranças
os quais você não sabe diferenciar:
é meta, é pseudo, é virtual, essa realidade
que integramos sem questionar a palpibilidade

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Dias Dês


de frente pra zona sul e de costas pra zona norte
e é isso que é morte.

é a morte do coro dos desafinados
do rumo dos desencaminhados
do leite dos desmamados
da sopa dos desdentados

é a rouquidão dos desaverbados
a casa sem chão dos desnacionalizados
o ócio dos desonerados

é a reticência dos deserdados
desenganados, desesperançados
desfigurados, desfalcados...

é o adverso dos desnaturados
desprovidos de decência de deliberar desapego
de desmentir desigualdade dos desnorteados

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Não há razão


Não há razão para este mundo, mas há uma rima e um ritmo...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Inverdades e desmentiras


Fulano conhecia o perigo das drogas.
E o que é o conhecimento,
manifestação morta do intelecto,
senão a adoção, resignada,
do produto de pseudo-pensamentos de outrem,
fruto do inapelável impulso de formação
de metáforas sobre metáforas
de igualação do não-igual,
do desserviço à espontaneidade?

Fulano usava a "folha", "doce" e outras iguarias.
E o que na linguagem
anda de braços dados com a realidade?
Os conceitos, como o de folha,
criados aleatoriamente, sem relação com a coisa em si,
nos remetem à existência de uma folha primordial,
como se todas as outras fossem dela desenhadas por mão inábeis,
de modo que nenhuma cópia, ainda que parecida,
fosse fidedigna à originalmente divina.

Fulano era honesto até que a necessidade o desdisse.
E as virtudes e defeitos, as subjetividades humanas,
são elas classificáveis, generalizáveis?
Como podem ações individualizadas, únicas,
influenciadas por um sem quanto de detalhes,
fruto de uma mente fora de seu nicho ecológico,
serem postas em xeque por um sem número de regras arbitrárias?
Qual a razão da honestidade? A própria honestidade?
Ou seja, a folha por causa da folha?

Fulano sentia-se triste com o rumo de sua vida.
E até que ponto o sentimento,
assim como seu discernimento, são amigos da intuição?
Mentir sempre segundo uma convenção sólida,
obrigação de uma sociedade insólita,
mistura-nos o concreto ao abstrato.
Um rei, dormindo 12 horas por dia, sonhando ser plebeu
é concretamente tão feliz quanto
um plebeu, dormindo 12 horas por dia, sonhando ser rei.

Fulano drogava-se para procurar um sentido na existência,
para projetar-se num plano metafísico mais elevado,
onde o conhecimento fosse a verdade intuitiva,
a linguagem fosse a do gesto, do olhar,
as subjetividades plenas, dando identidade à sua impessoalidade,
e os sentimentos fossem puros e intensos, vindos do fundo do ser.

Ele descobriu, enfim, um sentido na falta de sentido.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Dia dos namorados.


Saudade do teu perfume,
Que às vezes acho que sinto.
Impulso instantâneo,
Na lembrança revivo.

Saudade da tua voz,
A qual finjo ouvir.
Feminina, gostosa,
Forço a memória a sentir.

Saudade do nosso beijo,
No qual vejo o infinito.
Com olhos fechados,
O tempo não sinto.

Saudade de te fitar,
Bem de perto,
E fixar,
Com o olhar curto,
A imagem do amar,
Sem nenhum turvo.

Mas felizmente
Toda a saudade é preenchida,
Rapidamente,
Com mais perfumes marcantes,
Mais beijos paralisantes
E mais olhares inocentes.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

O belo e estreito nuance do branco-e-preto


em contraste a sua inocência
está sua sensualidade;
e o que seria de sua virgindade
sem a sua impudência?
leveza e clareza
fardo, mistério;
fragilidade, impotência
força e poder:
isso forma o arco-íris do ser
embora descolorimos-no sem saber

é normal ser paradoxal
e é assumindo-nos numa cor fixa
que pintamos a vida cinza

sexta-feira, 1 de junho de 2007


Às vezes, sinto que algo está faltando.
Às vezes não, constantemente.
Mas será que não é o contrário?
Ao invés de estar faltando, pode estar sobrando!
Excesso de preocupações, excesso de desejos, excesso de prazeres.
Sobra tanta coisa que a mente não pára quieta.
Fica querendo nadar contra a corrente.
E mesmo querer fazer nada já é um querer.

domingo, 20 de maio de 2007

Tudo é ímpar


Viver,
Agir
Ou observar.

Criar,
Destruir,
Transformar.

Vontade,
Com receio
Ou confiança.

O egoísmo,
Maldade
E bondade.

Regredir,
Manter,
Superar.

Morrer,
Viver,
Eternizar.

O azul,
Amarelo,
Vermelho.

Branco,
Cinza
E preto.

E o universo,
Nada
E infinito.
Se resume
Em pai,
Mãe
E filho.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A Energia Metamórfica


cada um ao seu tempo
de uma maneira descronometrada
buscamos nossa essência
ansiamos por nossa hora zero

procurando no que acreditar
como se houvesse um relógio pra consultar
acabamos por não crer no que passou;
os ponteiros não apontam claros
embora claros sejam os ponteiros
e onipresença, moção de montanhas
onipotência e consolo das desventuras
parecem conceitos divinos atemporais

cada um ao seu deus
cada um ao seu Tempo

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Quem sou eu


do natural ao artificial
na base de um sistema banal
mais uma engrenagem deslubrificada
que, ainda que condicionada
acarreta disfunção a ser propagada
como uma laranja mecânica
uma laranja fora da casca
uma laranja mecanicamente retirada da casca

domingo, 6 de maio de 2007

Aforismos


A gente é aquilo que sente o que o corpo nos faz sentir.

A fé é a negação da probabilidade.

A filosofia deve ser entendida, a ciência considerada, a poesia sentida e a espiritualidade aceita.

quinta-feira, 3 de maio de 2007


"sou
seu
cio
sou
seu
ócio
sou
seu
sócio
do prazer"

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Fazer para desfazer


Ciclo.
Renovação,
degradação.
Vício circular,
círculo vicioso.
Se ir para voltar
é comer para defecar,
é chover para evaporar
ou viver para morrer, então
os fins não justificam os meios mas
o faz o meio, embora, no meio, decline.
Caminhando de volta ao ponto de saída,
uma maneira prolixa de ser conciso,
o pós-clímax corta todo o clima e
os passos tornam-se mecânicos:
ganhar para perder dinheiro,
matar para ganhar o tempo,
variar para desvariar,
buscar para rebuscar,
cobrir e descobrir,
correr e recorrer,
tudo fica denso
e lento, é o
anúncio do
fim do
Ciclo.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Sem necessidade da escrita.


segunda-feira, 16 de abril de 2007

Mãos


Mãos,
Cinco dedos,
Cinco pontas,
Que juntos formam a mais incrível ferramenta
Com as mais belas proporções.

O polegar, grande diferencial,
Se junta ao indicador
Para fazer a pinça,
Que pincela possibilidades infinitas
De criação ou destruição.

Um aperto de mãos,
Um abraço, um tapa.
Simples ações
Cheias de significado,
Que afunilam emoções
E possibilitam interações
De agrado ou desagrado.

Há mãos que acolhem,
Mas há mãos que mordem.
Há também as que aquecem,
Porém há as que estremecem.
Expressão máxima do divino,
Mãos, as suas quais são?

Deus Cinza


a coexistência de antagonismos
como que por distração da dissociação
ingenuidade da repulsão
ou imperfeição da imperfeição
é o caminho desumano da inconsciência
minado pela condição humana

austeridade deveras intangível
à rapidez, preces, vastidão, força e poder
dos mais destros, crentes, imponentes, valorosos e eminentes
cavalos, bispos, torres, peões, reis e rainhas
que, axadrezados sós em seus limitados espaços
enquadram-se na mediocridade de seus extremos
sem restrição de resignação à inexpansão

resta a nós, dessintonizados não-visionários
o equilíbrio desequilibrado dos mortais
que, ainda assim, é ameaçado
pelos desenganos dos nossos movimentos
quando, por não fazermos jogadas perfeitas
acabamos fazendo-as mal-feitas

segunda-feira, 9 de abril de 2007

O meio (do meio)


ao desfortúnio da contrariedade, expelem uns:
"a batalha foi perdida" (com languidez desdita)
e inspiram outros:
"experiência foi adquirida" (de valia desmedida)

à contigüidade do desintuito, turvam uns:
"é a última chance" (fugidia num relance)
e clareiam outros:
"há ainda uma chance" (de concreto alcance)

à iminência do crepúsculo, finalizam uns:
"Boa noite" (ardida como açoite)
e começam outros:
"boa tarde" (de perseverança alarde)

início (do fim)
ou
fim (do início)?

sábado, 31 de março de 2007

O Sémen e a Flor

à flor da pele, sem cor
brota a semente da presença
como que florida de nascença
de fotossíntese do semeador

a flor da pele, o candor
floresce pavidamente
da sensação impotente
de que semea dor o semeador

mas, à flor da pele, a flor da pele
sensibiliza-se, semeada cutaneamente
que, desflorada de seus entrementes
semea amor o semeador

terça-feira, 27 de março de 2007

Alternativa


Tire as máscaras antes de entrar,
aja duas vezes sem pensar,
ponha o carro na frente dos bois,
pois os últimos serão sempre os últimos
e tempo é vivência.

Recordar é pausar a vida
e ter a consciência limpa não é ter memória fraca.
A última impressão é a que fica.
Beba muita cachaça,
esqueça-se depressa de mim.

Vá pelo sol,
não pise no cimento,
fale com estranhos,
mas o dinheiro não fala todas as línguas
e o futuro a você pertence.

Faça o que faço e não o que digo:
em terra de cego quem tem um olho é apredrejado.
Fuja do anti-convencional.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Eu-lírico


como podem metáforas da língua
ser expressionismo de funções emotivas?
como podem metonímias de 1° pessoa
estereotipar a semântica de polissemia?

reticências, exclamações, interrogações, vírgulas, quando pontuadas
soam ao receptor como orações de sujeito desinencial, indeterminado
com conotação de eufemismo romântico
denotação de naturalismo irônico
e acento agudo em catacrese intertextual

ao emissor, sua própria retórica é paródia:
não há coesão ou coerência, concordância ou regência
não há pleonasmo, mas prosopopéia
coordenando com junções subordinativas
pseudo-paralelismo de realismo

dos versos, um eu-lírico depreende hiato fonético
de narração heurística
de argumentação metalinguística

segunda-feira, 19 de março de 2007

Amor...

Amor não se entende,
Amor se sente.
Amor não se passa,
Amor se exala.
Amor não se recebe,
Amor se percebe.
Amor não espera,
Encara.

Amor não se cria,
Amor surge,
Feito a chuva,
De repente,
Que logo se apossa, preenche,
E faz da vida nossa,
Presente.

Mas não se consome,
Se aspira.
Não se gasta,
Se perde.
Não se acaba,
Se esquece.
E não é só,
É mútuo.
Não é cego,
É mudo.

sábado, 10 de março de 2007

Complicada busca


Necessidade do toque,
Fusão.
Do olhar que penetra,
Conexão.
Do silêncio melódico,
Suficiente.
E da plena interação,
Viciosa.

Essa falta que perturba a atenção,
Impede a contemplação
E impõe insatisfação.

Busca incessante,
Pois não se se completa só.
E na espera,
A verdade se esconde.
Não há música.

Homenagem (atrasada) a elas.


As responsáveis por nossos entantos.
As sensivelmente aguçadas.
As sentimentalmente capazes
De amparar nossos desencantos.

Elas que têm curvas,
Elas que quebram nossos quadrados,
Que moldam-nos em círculos,
Hiperbolizam nossas paixões.
Elas que manifestam o valor do que não se explica,
Que equilibram nossa razão
Com o transbordamento da emoção.

As criadoras de vida,
A condição à poesia.
As resistentes à dor,
Os redemoinhos de amor.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Escoamento rarefeito


se o seu ralo é não ter ralo
oríficio tragante da razão
misto de fluidos de emoção
confluência de sedimentos de desprendimento
de liberdade ingênuo encanamento
vício efêmero
o que fazer quando entope?

quinta-feira, 1 de março de 2007

Cidade Cenário


Cidade Plenário
promotora da ambição
advogada da competição
álibi da inspiração
prova de condenação
Julgamento jocoso
invariavelmente duvidoso
descaradamente criminoso;

Cidade Arenário
desaglomerada aglomeração
desapropriada apropriação
involuída evolução
explosiva implosão
Paradoxo de organismos estressados
poluidamente desnaturados
roboticamente cronometrados;

Cidade Cessionário
contraste mordaz
de inter-relação fugaz
egocentrismo loquaz
e artificialismo tenaz
Multidão insossa
que desmultifacetada em fossa
é desprovida de coletiva bossa.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

O que não falta, mas deveria faltar


O que não falta é hipocrisia,
Que consolida personagens,
Nada mais que viagens
De mentes em fantasia.
Distorções de realidades,
Negações de vontades.
Mentiras em busca de um objetivo ilusório
Que inconscientemente vai contra a si próprio.

Chega de evitar o sentir,
Essência nossa.
E que se danem os rótulos,
Morram os preconceitos!
Conformadas futilidades,
Ausências de profundidade.
Que faz da vida estagnada, retorcida,
Não aproveitada.
Vida parada.
Chega de dúvidas!
Aceitar o que é, se aceitar, é preciso.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Chuva


Tu representas a divindade da água.
Revela a capacidade dela de se movimentar em qualquer corpo.
Faz isso, no nosso, pela circulação sanguínea e osmose.
E na terra, corpo celestial, através dos rios e da chuva.
Ela que se faz necessária à vida, justamente por esse poder único de renovar tudo o que encosta.
Presente nos céus, presente na terra, presente no ar, onipresente.
Condição ao equilíbrio.

Chuva, seu som é macio.
Nuvem, sua forma é bela.
Cachoeira, seu ar tranqüiliza.
Rio, seu toque faz bem.
E água, seu gosto que gosto não tem, é o melhor que tem.

Mente?

a mente
sagaz-mente
paradoxal-mente
ve-e-mente-mente
mente
no tocante à mentira

fantasiosa-mente inflingimos-nos
a temporaria-mente acreditar
no que o subordinado corpo
não nos deixa expressar

mas por que dissimulada-mente renegar
o advérbio essencial-mente do nosso prosear?
Por que irracional-mente alimentar a bola-de-neve
ameaçadora-mente em rota de colisão
com o pilar dos nossos relacionamentos?

talvez, por inconveniente conveniência
de uma cultura triste-mente
marcada por incoerências
ou quiçá tudo não passe de mera quimera
fugaz-mente fabricada confusa-mente
por uma limitada mente
incapaz de sequer inexata-mente
distingüir o pensamento singular do plural

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Ausência de inspiração


Abstinência de criação,
Necessidade de sensação,
Miséria de percepção.
Isolamento interno,
Vontade de extroversão.

A volatilidade da consciência
Faz das emoções brincadeira.
Dá porrada na alma,
A deixa elétrica,
E depois outra porrada,
Anestésica.

Por favor,
Seja ubíqua novamente.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Paráfrase

Para perceber em plenitude o sentido de paráfrase, é preciso que você parafraseie um pouco.


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..
...
....
.....
......
.......
........
Paráfrase
para frase
é perífrase
de antífrase
Desvaria fase
infindo êxtase
reticente frase
fugaz homeostase
desatrelada crase
A gradual anástase
é sob tudo uma base